quinta-feira, 25 de novembro de 2010

vamos jogar o jogo do jaguar?


Jaguar
Jaguatirica
Jaguapé
Jararaca
Jacarandá
Jaca mole
Jacutinga
Jaculelê
Jaguadarte
Jangada
Jangada
Já gandaia
Gianduia
Gian Giulia
Giancarlo
Gianocarlyle
Giancoforte
Giacometti
Gioconda
Jucunda
Jocosa
Jugular
Jumenta
  Junge  
Javali
Janaína
Jaguanum
Já na Justa
Jiu em jítsu
Jauaretê

domingo, 21 de novembro de 2010

todas as areias eras havidas

O martírio. A tortura. O calvário. O prego a lança o cravo. Laceração. Musgo do riso. A pele a pêlo a couro a escalpelo. Vaca atavia horda da tarde desde o começo. Colina colina e o campanário de gesso. Ruas e o barro-som excremento. Toda a vigorosa vida de onde não quando. Que entranhada não cessa. Aqui. A ilusão de tempo. O passado, passando. O passado tremeluzindo na carne o que vivemos. Golfada de lava. Passos no visgo preso às pernas. Algaravia. Arrastam-se as bolas. Sempre prisioneiros.

Ser um covarde e viver o mês. E viver o espaço calendário que não cessa de abrir. O dia, esse não conheço. As horas. Os minutos. Os segundos inteiros, que eu só perco. Os ponteiros, amputados. Os passados. Os antes passados. Os que não se passaram ainda que aparentemente vivos. Ainda que visivelmente claros. Ainda que objetivos. Ainda que gravados. Ainda que anotados. Ainda que com toda toda toda a abotoadura e o pregão da tarde. Esse é o círculo o que da areia vem. E todas as areias vêm.

Trombas d'água. Ontem era assim. Hoje já não sei mais o que é de mim. De quando em quando mim. Ainda um aqui. Ainda um imenso. Mas o que é verdadeiramente mim eu desconheço. Uma palavra. Uma rima. Um verso. E nada de canto. É pura música dita aqui ligeira. Surda aos aflitos. Surda aos amenos. Surda aos malditos. Surda aos pequenos. Eixos sonoros. Não diga nunca se esqueça. Venta a golfadas mas o mar o mar o mar vaga e a nau não mais afunda. O fundo lama azul destroços. Tudo é um dia o sentir de outros troços. Ouvir dizer esbarrar membranas de ouvidos. Ser in-matéria bordoar as carnes dentro os já sentidos. Esgueiram-se as priscas eras. Era assim. É de um com menos. Todas as tardes e ainda os camelos. Isso só arde isso só plange isso é viver ao bater das côvadas de tempo. Mesmo que arda trata primeiro. Devir é o esquecer intenso com todas as carnes que já viveram.
(extraído do livro "um mundo outro mundo".)

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

jornada nas estrelas -- o episódio que nunca foi ao ar

“... audaciosamente indo onde nenhum homem jamais esteve.”
  
Agora você está sendo chamado na ponte. Ao entrar no elevador olha para cima e percebe algo de estranho entre as luzes, como se uma delas estivesse fora do lugar. Agora você, despreocupado, percebe que o elevador chegou finalmente à sala de comando; olha novamente para a lâmpada e vê que ela parece ainda mais afastada, deslocada, do que antes.
Você é recebido pelo seu oficial de Ciências. O seu navegador e o piloto estão atônitos olhando a tela, com a imagem à sua frente. Parece que há só e somente o breu, o escuro, o inconcluso, como se ali não houvesse estrelas. Um imenso imperceptível, inescrutável breu que você não sabia o que era ou onde é que ia dar. Você dirige um olhar ao seu oficial de Ciências que levanta as sobrancelhas e afirma estar diante de algo insondável, não perscrutável por nenhum de seus instrumentos. Não parece uma barreira porque é evidente que a nave avança. Não parece ser um túnel porque o espaço em todos os sentidos já foi examinado com raios-sonda que você ordenou da sala das máquinas que fossem lançados em todos os sentidos. Que espécie de aquilo era isso? O incognoscível? Não era crível. Não: o seu oficial de Ciências guardava ainda uma explicação. Poderia ser que fosse a borda dimensional da qual falara Callier? Callier havia destituído todas as teorias terrenas ao formular a hipótese do ponto obtuso onde tudo se fecha enclausura e tritura; o ponto da não-criatura. Obturação escura que repousa sem absolutamente nenhuma informação plausível para o cérebro. O indistinto escuro. Ponto de oclusão. A teoria do ponto obtuso você conhecia bem. Havia recebido inúmeras informações nos seus últimos cursos de aperfeiçoamento. Era completamente implausível imaginar que nenhuma das ferramentas gnosiológicas de todos aqueles povos da federação conseguira plausir mais qualquer fórmula além do aquilo que ora se apresenta. Aquilo. Também conhecido como isso ou coisa. Multiverso que abarca traga engancha a atenção de todo aquele que se aproxima. Mais, muito mais, do que se poderia supor que fossem no século XXI do planeta Terra os buracos negros. Muito além do que supusera a hipótese da colcha atemporal que a tudo abarca dos vagosianos. Era finalmente o ponto obtuso, aquela multifacetada forma de não ser coisa alguma. Nada acumulava, nada recebia, tudo era um permanecer indo aonde não se sabia. Não havia tempo naquele aquilo, coisa, isso, nem velocidade, nem se consumiam os combustíveis, nem as imensidades, nada apreensível com nenhuma sonda, não reagia, nem regurgitava, não expelia, nem recebia. Não era o vácuo, como alguns poderiam pensar. Aquele aquilo era também chamado de tampa ou ponto dimensional para onde prosseguiram inúmeras naves que nunca sequer foram porque não se teve notícia de jamais terem chegado. Aquilo era aquilo que se vivia. A tampa, cláusula escura de onde não se saía, porque jamais se entrara. Ponto do qual não se retorna, posto que nunca para o qual ninguém fora. Aquilo era aquilo e você, você e toda a tripulação de sua nave estavam experimentando esse isso sem poder sequer saber que afinal era aquilo a experiência do isso abissal do qual não se fugia, para o qual não se ia, se apartava, aportava. A borda, a borda dimensional do incognoscível ponto de não-retorno para o qual não se ia. Era aquilo, aquilo era, era aquilo. Breu do brilho escuro, tampa sem tempo estrela distância localização aquilo daquilo do qual não se falava. Somente Callier ousou conceber o que não se concebe; o inconcebível o inescrutável isso.
Diário de bordo, data estelar: um quase quase ponto outro ponto o quê...
(extraído do livro "uns tantos outros".)

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

cordas

no silêncio obscuro
das cordas
o que é mim
minúscula
película
em divisa
do que não é mim
no silêncio obscuro
dos tons
o que é mim
entrementes
tremidos
intervalos
onde não é mim
o silêncio obscuro
silêncio
no vazio mim
aborda
a borda
indizível
corda
do que don't mean