quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

oco



O silêncio que me intercala. Cava. Solapar de escavadeira. Paira. Extrai de mim o mundo. Mostra o mudo. Cavo. Rouco. Rouca voz. O silêncio que me intercala. Coisa enorme. Escavadeira. Cava. Escava em mim o tudo. O silêncio que me intercala céu sem firmamento. Oco que arde. Oco de imagem. Oco de palavra. O silêncio que me escarpa. Extrai de mim o vulto. Curvo. Mudo. Pulso no limiar de um outro mundo.

(extraído do livro "um a um - os poros da paisagem pólen".)

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

vulto



voltagem mescla receber a carne como fibra ser o convés do assombro ostentar nas unhas toda a sujeira dos que escavam paredes ser o desdobramento imprevisto cápsula casulo do indefinível que só habita o escuro porque ainda vive onde nem sequer se sabe se o que responde é a resposta que se dá para a pergunta onde

(extraído do livro "onde houver vida a vida haverá de vingar".)