quinta-feira, 3 de julho de 2014

remembranas - as eras maduras I


e quem disse?



E quem disse que não poderia sair de mim aquele risco? E quem disse que a vida inteira não vale o risco de se arremessar naquele abismo?
E quem disse que não poderia ser qualquer – especialmente eu o mais pequeno e ínfimo – a alcançar aquele pico?
É chegada a hora de deixar o deserto e as tentações do visto. De arremessar-se novamente só. De inaugurar um novo corpo em um território totalmente imprevisto.
É chegada a hora de cruzar a linha. De ultrapassar o ponto. De fazer do grito algo como o canto estranho do pássaro sem vínculo.
É chegado o instante. Em que o exíguo e o vasto ocupem o mesmo lastro. Fabriquem o mesmo espectro. Estendam o corpo cárneo e o corpo ígneo. O corpo sombra e o corpo astro. O corpo espasmo e o corpo grito. O corpo escasso e o corpo íssimo. O corpo outro do outro lado que sem fazer caso do verbo ser diz: sim – o vento a vela o mapa de um novo modo de um novo mundo desencaixado e errante desocupado e inteiro.