quinta-feira, 28 de agosto de 2014

semente



Soltar as mãos do futuro. Desprender-se do passado.
Ser a semente tardia. Turgivoraz. Turbilhonante que não se exaure no movimento e que se expande. Ser o que fica sempre implícito. Ser o que é sempre tomado como equívoco. O que não diz a que veio porque não aqui veio a nada que se diga veio.
Ser a semente que se implica, sem necessariamente ser um corpo ainda que se exponha por meio do corpo. Ser a semente complexa que não aumenta em volume mas torna tudo a vertigem da matéria.
Ser a semente que se expressa no que chamam o ainda sem nome no que se convoca no ainda sem rumo no que já morde e não se dissimula.
Ser a semente do que tomam como sendo sempre o obscuro.

(extraído do livro "onde houver vida a vida haverá de vingar".)

domingo, 24 de agosto de 2014

ritmo



Sigo ser dessa vida vaga de quem vai no ritmo. Um ritmo caudaloso viscoso esmero de quem vai no ritmo. Um ritmo de quem respira sabe que respira onde respira com que parte do corpo respira. Um ritmo ritmo que ritma e insta o pouco saber um quase que só reconhecer.
Mas me perco sobre sempre. E sigo ser dessa vida vaga de quem vai no ritmo.  E do ritmo alavanca arranca motor de ataque clave contraclaque que instaura a respiração de um que vai de um que vem de um que não tem por onde acaba que pressagia a presença de um não invocado ritmo. Respiração rumor de células rumor de rastros rumor de rasgos largos.
Sigo ser dessa vida vasta de quem cai - de quem sai – de quem vai sempre ser um que sai do ritmo.

(extraído do livro "um a um - os poros da paisagem pólen".)

quarta-feira, 20 de agosto de 2014

esta outra esfera



Densidade próxima. Atmosfera híbrida. Umidade filigranar. Temperatura sísmica. Módulo lunar interestelar nave sal decibéis. Ventos na velocidade de mais de mil e quinhentos pés. Gravitação. Pressão do átomo do mol de molécula. Camada intervalar. Tudo tudo tudo é matéria. E no entorno ata com outra esfera quimera o que diria ser outra dimensão. Algo que se entranha dentro de toda clave e que só toca quem dedilhado está desde o tendão desde o tecido desde a mais elementar das falanges.

extraído do livro "onde houver vida a vida haverá de vingar".

sol de rapina


quarta-feira, 6 de agosto de 2014

doppler



          Arrancar a tinta dos futuros. Comer por todas as beiras. Gelado ou frio o que por fim chegue mais oposto ao calor que corre nas veias. Ser frente infértil coleando pelo solo. Galope da madeira escurecida do piso. Ventar colchetes. Estropiar pelo esperanto pelo latim. Não fazer da língua algo propício ao discurso do outro em mim. Ser o vértice o verdugo a vergastada o pior local para um juízo. Aqui doppler ocupado contraste em viés e ácido que escapa do tudo aquilo que se ergue do que ignoro de mim do outro e da sombra.

domingo, 3 de agosto de 2014

coralidades 4


coralidades 3


coralidades 2


vento



Venta. Isso se vê pelas árvores que cedem, dobram as copas, balançam as folhas. Venta. Mas tudo pode estar do outro lado. No ar não há mais nada além do deslocamento dele – vento. Deslocamento que diz dele, ar, e das coisas que lhe estão no caminho.
Esse não é o meu caso. Não estou no caminho do vento. Estou do outro lado. E ir assim de encontro ao opaco das coisas é uma avalanche.
Venta. Isso se vê pelas copas dobradas pelas folhas ao contrário. Isso se vê. Mas o que venta não vê – passa, ultrapassa, dobra arrasta. Num movimento sem origem. Deslocamento que não é de ser. Verbo inflexionado no infinitivo sem substantivo.
Vento. Dizê-lo assim inventa um falso quem. Diz vento como se houvesse alguém a conjugar e não um só estado de ventar.

(extraído do livro "onde houver vida a vida haverá de vingar".)