terça-feira, 9 de agosto de 2016

o que saberia



Eu saberia. Mas não soube na época. Mas saberia. Embora ainda de todo não saiba. Eu saberia então mas não soube. Nada do que eu vim a saber. De fato nada do que eu não ainda sei. De fato nada do que eu nunca soube embora. Saberia. Saberia numa circunstância simples que se desdobrada saberia ser a mesma que a passada. Mas nada do que não sei de que não soube nada do que nada vizinho ao que saberia então mais tarde embora ainda não sei se sei não nada desse nada. Circum visão. Come’strada. Saberia saberei saber sumo embora ainda não soubesse de nada.
Nada é presumo. Eu presságio. Tudo que se passa pelo prumo da passagem que se sabe sabe-se saber – como não sei ainda que saberei sei como sei como saber tanto tanto tanto um tantum ponto indecifrável inflexível ponto sem parte sem partícula de onde se arranca de onde se extrai o que ainda se sabe que se saberia num futuro que perpétuo que perene que prescrito no passado se inscreve nessa carne que se instaura nessa alma que se infreme que se pêndulo que se passa pela pele passa pela farpa da camada.
Eu saberia. Logo saberei. Logo ainda que não ainda soube por onde se percorre o que se engendra o que não se pensaria saber nunca eu saberia logo saberei mesmo que agora ainda arda o que não sei se se sabe ainda mas já arde bate ritma o que saberei dentro desse não ainda não ainda nada do que saberei ou saberia embora já daqui saiba o que não ainda saberei sem que soubesse o que já sei embora não ainda possa dizer que saiba. Embora saiba.

(extraído do livro 'um a um - os poros da paisagem pólen'.)