não é poesia. não é prosa. não é literatura. não é filosofia. texto. palavra. traço. ponto a linha. entrelinha.
quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013
de onde quer que se esteja
Aqui
era a pé que a gente ia. Nesse caminho. Por essa via. Aqui era com medo que se
seguia. O coração a medo. A solidão. A noite funda e o inferno de sempre ser
com agonia. Aqui. Era por aqui que se seguia. A mesma via. Eira sem beira.
Abismo tal que se expande até ocupar a outra fronteira. Aqui era sempre que se
detinha. Outra vivência de que por um sim ou por um não qualquer que seja se constrói
o lado do outro lado de um novo lado de onde não se pode ver ainda de onde quer
que se esteja.
(extraído do livro "um a um - os poros da paisagem pólen".)
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
mar
o mar revolto me
espanta
porque me apaga
o mar revolto me
atrai
porque me afoga e
aplaca
(extraído do livro "onde houver vida a vida haverá de vingar".)
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
um texto
Eu fico pensando no
que poderia ser ainda este texto que acho que está para vir e que está
inaudível invisível indizível. Este texto silêncio que não se descortina
desenlaça nunca. Que está atado ao nó da língua que não vem fala não vem
palavra não vem letra teclada na ponta do dedo.
Eu fico pensando no
que dizir do verbo do dizível zer. Eu fico pensando que ele não poderia ter eu
que ele deveria ter outro dizer que não o do verbo conjugado. E que não pode
falar disso dito à tona do falado.
É uma história sem
pessoa ou com inúmeras pessoas. É um as torres com todos os que passam
entrelaçando-se num caldo de imanosfera. É um texto em montanha sem vale ou em
multidão sem indivíduos.
Eu teria de
deixar-me de lado inteira. Teria de esquecer que escrevo. Teria que abandonar o
barco, definitivamente deste lado e atravessar-me até comungar da corrente o
fluxo que não me espera.
Eu fico pensando e
pensando e pensando e nunca que vem esse pulsar de outra esfera imanosfera que
burbure borbulha sem formar bolhas mas agitando-se lá. Quem é que sou para
conseguir de lá contar?
Esse texto nulo,
núncio, não enunciável, não imantado ainda no meu discurso. Esse texto da
nenhuma palavra da cláusula falha da ausência de discurso. Este texto re-nuncio
do escrever de punho de dedos de testa de língua de forma que sempre colige um
caldo. Um texto caos que diga e ao mesmo tempo prescinda da verve viciada do
mesmo curso.
Um texto que
começaria do outro lado da página que diria o avesso das frases o de cabeça
para baixo, o dês-sintagma.
Ex-sentido.
Que texto seria este? O do silêncio do nenhuma palavra dita o texto que estaria
nos entretextos do que aqui já estaria inscrito.
(extraído do livro um mundo outro mundo.)
terça-feira, 29 de janeiro de 2013
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