Powered By Blogger

domingo, 19 de janeiro de 2014

algo de nenhum



Eu fazia luz num canto mas estava escondido. Eu fazia ali a luz por mim clara energia mas era invisível. Eu fazia ali no gotejar da onda partícula que não existia. Mas não existia. Tudo passava por mim. Eu era éter. Tudo passava por mim. Eu era pura matéria encontrada de luz caldo de um algo que não se traduz que não se esgota que nunca deixa de estar ali ali onde nenhum olho jamais se deita. Esquina vazia. Quebra do átimo. Eu fazia ali a luz de um canto comensurável mas não existia. Vaga fantasma força do eco. Camada lavada levada pela pura pela pura pura transparente maneira de passar pela existência sem nunca chegar a ser nada. Algo porém havia ali. Mesmo porque dele se diz se disse que era nenhum. E já que nenhum ali havia algo de nenhum ali se podia dizer que existia.

extraído do livro 'um a um - os poros da paisagem pólen'.

quarta-feira, 11 de dezembro de 2013

oco



O silêncio que me intercala. Cava. Solapar de escavadeira. Paira. Extrai de mim o mundo. Mostra o mudo. Cavo. Rouco. Rouca voz. O silêncio que me intercala. Coisa enorme. Escavadeira. Cava. Escava em mim o tudo. O silêncio que me intercala céu sem firmamento. Oco que arde. Oco de imagem. Oco de palavra. O silêncio que me escarpa. Extrai de mim o vulto. Curvo. Mudo. Pulso no limiar de um outro mundo.

(extraído do livro "um a um - os poros da paisagem pólen".)

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

vulto



voltagem mescla receber a carne como fibra ser o convés do assombro ostentar nas unhas toda a sujeira dos que escavam paredes ser o desdobramento imprevisto cápsula casulo do indefinível que só habita o escuro porque ainda vive onde nem sequer se sabe se o que responde é a resposta que se dá para a pergunta onde

(extraído do livro "onde houver vida a vida haverá de vingar".)