não é poesia. não é prosa. não é literatura. não é filosofia. texto. palavra. traço. ponto a linha. entrelinha.
sexta-feira, 10 de julho de 2015
ainda não
Ontem eu não vi. Hoje também ainda não. A frequência do dia.
A frequência ainda não. Aqui o que soma de mim. O que soma que some que sumo do
que mi do que em mim do que vi do que ainda não. Ontem eu não vi. Hoje também
ainda não. Do que encontro em cada canto que ainda não mi ainda não aqui aqui
ainda não. Ontem eu não vi do que mim do que mim em mim ainda não. Perto do que
aqui ainda não vivi. Perto do que aqui ainda não encontro. Nada do que mi nada
do que estava tão longe. Nada do que ainda não vi. Nada do que ainda não.
Sombra que sombra do que vivo. Sombra que encontro ainda não. Corda vibrada do
violino. Corda cordame de corrimão. Ponte suspensa sobre abismo. Ponte suspensa
sem corrimão. Ontem eu não vi. Hoje também ainda ainda que aqui abisma ponte passada
de abismo abismo que cisma de mim de um não. Ontem eu não vi. Hoje também ainda
não. Ainda não.
quinta-feira, 9 de julho de 2015
terça-feira, 7 de julho de 2015
sábado, 4 de julho de 2015
aquilo do que se tratava
Nenhuma
montanha para subir. Nenhum rio que atravessar. Nem areia nos passos a impedir.
Nem cacos ou brasa a machucar. Nada áspero ou pontiagudo. Nada que rasgue ou
dilacere a carne. Nem um campo ou canteiro de urzes. Nem arame farpado ou tiros
cruzados. Nem um desafio do corpo ou do mundo. Nada do fora que se possa
vencer. Nada a que sucumbir. Nenhuma fronteira na beira do dia. Nem um fogaréu
que atravessar.
Só ali.
No pórtico da sala. Poltrona sofá mesinha de centro calor de almofadas.
Abajures acesos. Cheiro de sopa na sopeira. Mesa posta guardanapos. Todo o jogo
de pratos e os talheres arrumados sobre a toalha. A humanidade ali e todo o inferno que lhes navega
por dentro.
Todo o
inverno de viver aquele aparente tranquilo tão quente tão calmo e sereno. Sem
guarda de si sem ter para onde fugir sem ter como acordar antes de enfim constatar
que sim se tratava de um simples pesadelo.
(extraído do livro "um a um - os poros da paisagem pólen".)
quinta-feira, 2 de julho de 2015
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