não é poesia. não é prosa. não é literatura. não é filosofia. texto. palavra. traço. ponto a linha. entrelinha.
domingo, 3 de janeiro de 2016
desde aqui
Visitar outro lugar outra quimera.
Esfera de fios outra atmosfera. Visitar das outras sombras do que vai pelo vão
do que escapa das mãos e da respiração e que nem mesmo pulsação se não muito
cuidada jamais poderá pressentir. Visitar o outro lado o caminho contrário o
que não se cogita o que está no pressente no vazar do vazio no que não obstante
o que nenhuma régua o que nenhuma secante.
(extraído do 'livro' "um a um - os poros da paisagem pólen".)
terça-feira, 29 de dezembro de 2015
isto que se não conta
Estrondo do dia ao peso da noite. Toda a claridade ardia e
eu não tinha mais como prosseguir. Não era mais pensado o universo. Estava como
que acomodado naquela hora fria. Estava superado o verbo a fala a articulação
da língua.
Mas começar a história assim não fazia mais o menor sentido.
Se não havia verbo palavra articulação que era escrito naquilo que dizia? Como começar
esperanto. Não era língua. Código nenhum havia.
Como prosseguir porém se ninguém entende ou pode ler? Como prosseguir
se nem mesmo se pode escrever? Essa história incontável incontornável. E que no
entanto havia. Algo que não se conjuga e que pode fazer viver.
Escrever fora da letra. Escrever fora da escrita. Nenhuma palavra
que seja e que no entanto possa ser dita. Escrever do contrário da verve. Escrever
do passado impressinto. Vocábulo inestável. Imensuração do abismo.
Como se não quando quem ou onde? Queda linguagem argila. Colecionar
de fonemas de grafemas tartamudaria.
Sobrevoar a paisagem. Nenhum olho e mais ninguém se avista. Estar
do outro lado da fresta sem ter nada que se diga. Sem saber sequer que vê. Sem
conjurar o que resta. Sem se saber haver.
Não que seja ninguém mas um canto que nunca está só. Uma orquestra
uma conferência uma sinfonia. Eco de muitas vozes no silêncio da nenhuma só coisa
dita. Nem som nem verbo.
Uma voz arrancada do espaço. Um grito arrancado da voz. Um
sentido arrancado do grito. Uma palavra larvar. E mais ninguém a ouvir o que foi
dito. O intradito inaudito.
(extraído do livro "afeto confesso".)
quarta-feira, 23 de dezembro de 2015
sexta-feira, 11 de dezembro de 2015
quinta-feira, 3 de dezembro de 2015
terça-feira, 1 de dezembro de 2015
quem de você
Intento. Descoragem. Pedaço de pedra oca. Gesto. Estiagem.
As horas que chamam de trás as horas que fazem sombra.
Poucas são as palavras que tenho a dizer. Um reflexo da vida
que tive. Da vida que tenho. Da vida que posso ter. Estar no meio da mata em
noite de lua cheia. Ou então em uma praia. Acampado em um deserto. Esperando
sei lá o que acontecer. Poucas são as memórias que não pude reter. Mas essas
que me faltam são o que era essencial viver. Passam-se os dias os meses os anos
hora a hora caldo de cada minuto um suspiro de segundos e nenhuma mudança nessa
argamassa de tudo. E depois o que se pode se não contar com o medo essa espécie
de coragem sem ato que basta estar vivo e olhar de frente para as coisas e
esperar para ver.
O começo do que vem aos poucos.
O que posso ainda dizer? O que é pouco o que é quase nada. O
pequeno de um passo que ninguém tem a coragem de dar. E depois estar no mundo
no dia diáfano no sem sentido das horas do dia das horas da noite no sem aviso
daquilo que nunca por mais que se tenha lido ou ouvido falar nunca jamais chega
perto do que se pode sentir nessa hora. Digo naquela hora. A hora que qualquer
um vai viver de um jeito ou de outro. A hora que basta estar vivo para saber
que não se vai passar por ela. Mais do que quando ou onde resta saber como.
Resta saber quem de você vai viver esse finito e de que modo vai viver esse
como.
(extraído do 'livro' "afeto confesso".)
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