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sábado, 4 de julho de 2015

aquilo do que se tratava



Nenhuma montanha para subir. Nenhum rio que atravessar. Nem areia nos passos a impedir. Nem cacos ou brasa a machucar. Nada áspero ou pontiagudo. Nada que rasgue ou dilacere a carne. Nem um campo ou canteiro de urzes. Nem arame farpado ou tiros cruzados. Nem um desafio do corpo ou do mundo. Nada do fora que se possa vencer. Nada a que sucumbir. Nenhuma fronteira na beira do dia. Nem um fogaréu que atravessar.
Só ali. No pórtico da sala. Poltrona sofá mesinha de centro calor de almofadas. Abajures acesos. Cheiro de sopa na sopeira. Mesa posta guardanapos. Todo o jogo de pratos e os talheres arrumados sobre a toalha.  A humanidade ali e todo o inferno que lhes navega por dentro.
Todo o inverno de viver aquele aparente tranquilo tão quente tão calmo e sereno. Sem guarda de si sem ter para onde fugir sem ter como acordar antes de enfim constatar que sim se tratava de um simples pesadelo.

(extraído do livro "um a um - os poros da paisagem pólen".)

segunda-feira, 29 de junho de 2015

matéria sangue



Inscrever toda a matéria sangue desde o avesso. Halo do talo do avesso. Vaso sem fundo todo o carmim do plural e do medo. Correr da ponte e do arremesso. Voz do contrário olhar para o fundo da caldeira ser o que escava e o que beira. Herói da matéria do inverso o que nunca começo o que nunca foi dito. O que nunca foi mais que promessa o que por fim se arremessa.