não é poesia. não é prosa. não é literatura. não é filosofia. texto. palavra. traço. ponto a linha. entrelinha.
quarta-feira, 4 de novembro de 2015
domingo, 1 de novembro de 2015
quarta-feira, 28 de outubro de 2015
enredo
Eu poderia escrever pelas
bordas. Pintar pelas bordas. Coser pelas bordas. Caminhar pelas bordas. Olhar
pelas bordas o todo como quem faz o invento dentro por dentro sem que desse
dentro nada se cave acompanhe ou destrua. Eu poderia somar inimigos escrever
cometendo barbarismos usar garranchos em lugar de linhas que se desenham pelo
horizonte da página. Eu poderia enumerar nesses ritmos inscrever nos lados os
dígitos confrontar curvas e cordas costurando entre os grafismos um entrever
entre a pauta e o caderno de exercícios. Eu poderia compreender com minha letra
toda a aplicada linguagem das rimas ser tomada por imagens prismas inaugurar
todo um salão de espelhos focos e reflexos. Mas eu não sei como fazer isso.
Fico aqui com o caderno no colo evocando o que se desponta. Anotações da camada
do avesso. Não faço obra nem descanso do intento. Fico aqui entrecortada com a
visão do abismo e toda carga de um relâmpago a triturar minha parca expressão
do que deveria ter sido haurido como texto plausível do que deveria fazer um
apelo do que deveria estabelecer como começo. Mesmo.
(extraído do 'livro' "afeto confesso")
segunda-feira, 26 de outubro de 2015
sábado, 24 de outubro de 2015
sábado, 17 de outubro de 2015
números
Era uma
parede de números incalculados. Era fria. De azulejos anotados até o teto.
Azulejos preenchidos pelos números visíveis pelos números escritos manuscritos.
Azulejos anotados anotados. Números finitos. Mas ali indicados pareciam nada
menos que inúteis e frios escrevidos lado a lado circunscritos pelo dentro de
quadrados. Paredes e paredes preenchidas à exaustão. Andares e andares anotados.
Números inscritos pelo traço de uma mão.
Subíamos
as escadas. Subíamos um a um degraus com números inscritos em cada vão. E nas
paredes que seguiam desde o chão até o teto. Subíamos subíamos por degraus
escorregadios. Também eles com números anotados. Andávamos em círculo mas subíamos.
E ao seguir tudo o que víamos eram números algo parecido a um sem fim a um
muito próximo do infinito uma espiral de números insertos por todo lado.
Eram
paredes curvas e subir era perder o piso perder o solo perder o juízo ao ter
aos pés diante dos olhos por todos os lados o traçado infindo de fileiras e
fileiras inúmeras fileiras de números desenhados. Era um círculo. Era um índice
de um fim seguir olhando para cima para baixo seguir lendo números parecidos
com o infinito números e números e números e números perfilados.
(extraído do 'livro' "um a um - os poros da paisagem pólen".)
terça-feira, 13 de outubro de 2015
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