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quarta-feira, 5 de outubro de 2016

o que se não o avesso



A se cumprir. Mais vir. Solidão aparente. Frente e verso de muro era frente verso e era avesso. E era verso. Verso sem fim ou começo. Era fala. Era uma fala na calada do encontro era uma fala de dentro de algo que não lhe fazia mais fim. Era ela aquele ele que me vinha acometia mais daquele mais daquilo era aquilo o que vinha. Fala calada de encontro o que murmurejava por sangue se passava mas podia ser qualquer outro líquido em fonte. Ele viu finalmente ele viu o que eu via desde tão tanto desde tanto antes. Ele viu finalmente ele viu o que ela via o que ele vinha quando por vozes por medos por pontes por ondes e horizontes. Ele morria de medo. Ele tomado de todo arremesso. Ele ali. Ela ali. Eu ali. Quem ali de nós aqueles que estavam acastelados guardados movidos arrancados desde um quando que ninguém soube direito de onde é que lhes vinha. Mas era veio era o outro lado da linha era o avesso o lado inverso o ocupado por quem desse lado sabia sabia.
(extraído do livro: um a um - os poros da paisagem pólen.)

terça-feira, 9 de agosto de 2016

o que saberia



Eu saberia. Mas não soube na época. Mas saberia. Embora ainda de todo não saiba. Eu saberia então mas não soube. Nada do que eu vim a saber. De fato nada do que eu não ainda sei. De fato nada do que eu nunca soube embora. Saberia. Saberia numa circunstância simples que se desdobrada saberia ser a mesma que a passada. Mas nada do que não sei de que não soube nada do que nada vizinho ao que saberia então mais tarde embora ainda não sei se sei não nada desse nada. Circum visão. Come’strada. Saberia saberei saber sumo embora ainda não soubesse de nada.
Nada é presumo. Eu presságio. Tudo que se passa pelo prumo da passagem que se sabe sabe-se saber – como não sei ainda que saberei sei como sei como saber tanto tanto tanto um tantum ponto indecifrável inflexível ponto sem parte sem partícula de onde se arranca de onde se extrai o que ainda se sabe que se saberia num futuro que perpétuo que perene que prescrito no passado se inscreve nessa carne que se instaura nessa alma que se infreme que se pêndulo que se passa pela pele passa pela farpa da camada.
Eu saberia. Logo saberei. Logo ainda que não ainda soube por onde se percorre o que se engendra o que não se pensaria saber nunca eu saberia logo saberei mesmo que agora ainda arda o que não sei se se sabe ainda mas já arde bate ritma o que saberei dentro desse não ainda não ainda nada do que saberei ou saberia embora já daqui saiba o que não ainda saberei sem que soubesse o que já sei embora não ainda possa dizer que saiba. Embora saiba.

(extraído do livro 'um a um - os poros da paisagem pólen'.)

quarta-feira, 29 de junho de 2016

o u ou o



Não é nada. Nem é nenhum. Mas de quase um chega a perto de pouca coisa.
Não é nada. Nem é nenhum. Mas dito assim por quem chega quase a ser ninguém é uma espécie de próximo do pouco.
Não é ar. Nem calmaria. Não é algo que se perceba nem que se possa definir.
Mas está aqui. É presente. Mesmo que o que cave seja a orla de um não estar o quase de um nunca chegar. O grau de um nem distar nem encruzilhar um que nem chega a ponto. Um quase vácuo uma espécie de quase nada que nem chega a nada nem chega perto de ser nenhum. Uma espécie de pouco com só o u vela do oco.

(extraído do 'livro' "um a um - os poros da paisagem pólen".)