sábado, 15 de novembro de 2014

parecia



Parecia pedra parada. Parecia. Parecia paralelepípeda pista. Parecia. Parecia parede caiada. Parecia. Mas não era nada. Céu de pelo e asa pintada. Nem uma pia. Parecia vírgula deslocada. Parecia. Parecia grão de trigo. Parecia. Parecia um pedaço de pano uma canoa um cano parecia pau e terra pisada. Parecia ferrugem de trilho. Parecia. Parecia porta de erguer. Parecia. Parecia relógio e corrente. Parecia. Parecia madeira maçaneta e batente. Parecia. Mas não era nada. Parecia velcro no piso e solado de meias passadas. Parecia. Parecia piano e pinho. Parecia. Parecia pandeiro e surdina. Sustenido. Parecia banqueta parecia arco parecia um palco subindo. Parecia. Mas não era nada. Parecia máquina de colheita. Parecia trituradeira. Parecia. Parecia estrada de asfalto e as duas linhas uma contínua e a outra tracejada. Parecia. Mas não era nada. Parecia a tela no escuro. Parecia. Parecia algodão e almofada. Parecia. Parecia cortina entreaberta. Parecia. Parecia. Mas não era nada. Só arrumada no canto de uma página era uma coleta de palavras anotadas.

a colcha do pôr do dia